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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Meu tempo é quando

Poética nº 1

De manhã escureço, de dia tardo, de tarde anoiteço, de noite ardo.
A oeste a morte, contra quem vivo, do sul cativo, o este é meu norte.

Outros que contem, passo por passo:

Eu morro ontem, nasço amanhã, ando onde há espaço

Meu tempo é quando.


(Vinicius de Moraes)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Fim

É estranho quando chega ao fim.
É a incerteza de tudo o que se disse antes do ponto final.
É a saudade de tudo o que aconteceu antes.
É a despedida.

Acabou.
Eu queria tanto...
E eu que já estava de saco cheio...
Hoje estou nostálgica.

Entreguei o TCC. (Aleluia!)
Alívio.
Entreguei os livros na biblioteca, paguei uma pequena multa.
Dei tchau para o meu orientador, de quem eu tanto reclamei por ser "relapso"...
Até ele me emocionou. Sim, foi uma honra tê-lo como professor.
Eu não estava eufórica como os outros.
Estava alheia, queria ficar em silêncio.

Fui no supermercado comprar algo pra comer
Começou a chover quando eu voltava pra casa
E eu pensei naquela música...
Enquanto prestava atenção no momento, caminhava devagar

E a vida continua, daqui para a frente.

Música-que-eu-não-sei-o-nome

Hoje eu nem saí pra rua
Nem olhei pro sol
Hoje preferi a lua
E nem li o jornal

Hoje nem pensei no amor
E nem quis te gostar
Hoje até suportei a dor
A dor de te amar

Tanta gente à minha volta
Que nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
Que é melhor nem falar

Hoje a rua está tão deserta
Como o meu coração
As folhas caem sem muita pressa
Como a solidão

Hoje, agora, nesse momento
Começa a chover
E eu aqui nesse apartamento
Só pensando em você

Tanta gente à minha volta
E nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
E é melhor nem falar...


(Não sei o título dessa música, nem o autor.
Se alguém souber, por favor, me diga para que eu possa dar os devidos créditos!)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

TCC tccido!

00:12. Esse foi o horário exato da minha última atualização no arquivo "TCC". Foi o exato momento em que coloquei o ponto final - quer dizer, o ponto de interrogação final - nas minhas considerações finais nada conclusivas.

Ok, não cumpri a meta de terminar o trabalho no domingo, mas a minha contagem de tempo considera que, como ainda não dormi, apesar de já ter passado da meia-noite, ainda é domingo. E amanhã vai ser, certamente, uma segunda-feira diferente. Vai ser um dia sem culpa. Culpa de estar fazendo qualquer coisa que não seja: terminar o TCC.

Não fiz o melhor trabalho que poderia ter feito, já diz na minha dedicatória, mas fiz o melhor que poderia fazer nas condições que eu tive. A meta inalcançada, entretanto, foi importante para motivar minha tentativa. Uma meta utópica para um resultado realista. Como a tal da imparcialidade jornalística...

Hoje dormi praticamente o dia todo. Só fui abrir o Word para continuar, ou melhor, terminar o que comecei há uns cinco meses (mais efetivamente nos últimos dois meses) quando já caía a noite. Normal. Auto-sabotagem. Me boicotei o dia inteiro. Acho que meu subconsciente estava com medo do vazio que sinto agora. Eu não tenho mais que fazer o TCC.

Tá, falta revisar, reler, modificar, corrigir, apresentar... Mas está feito. E isso já é o suficiente para provocar uma estranha sensação de dever cumprido. De folga. De descanço.

Pronto. Já não tenho mais dor de cabeça, dor nas costas, dor de ouvido. Acabou o TCC, acabaram os problemas, até o próximo grande desafio.

Dei trabalho para muita gente. Para a minha mãe que aplicou a pesquisa, por exemplo. Agora é mais para a Ana Band, que está formatando todas as páginas do monstro que eu criei, e já passam de 80, segundo ela...

Obrigada! Vou dormir!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Namastê

domingo, 2 de novembro de 2008

Momentos que são meus...

... e que não abro mão...

De repente, uma melodia conhecida.
Não, não essa. Outra. Mas significativa.
Seria coincidência? Não.
Há quanto tempo já deixastes de acreditar no acaso?
Há quanto tempo não páras para contemplar a vida?
Pensei. Não faz tanto tempo. Mas sempre é bom, e cada momento é único.
A melodia...
O som do chafariz, as bolhas de sabão refletindo toda a felicidade que existe no ar.
Todas aquelas pessoas estavam mesmo felizes ou era a minha felicidade que eu enxergava ao redor?
Será que viam o quanto eu estava feliz? Ou meu sentimento é transparente?
O fato é que eu já estava irremediavelmente tentada a permanecer ali,
Embora o plano inicial fosse ir pra casa.
Gosto de imprevistos no meio do caminho, ainda mais assim, tão agradáveis.
Sozinha, eu e a música. A primeira, a segunda, uma próxima... até o bis.
De repente, um show inteiro, uma vida inteira em flash back.
Cada música contava uma história. Quem foi que escolheu esse repertório???
Aquele repertório era meu, eu não duvidava. E todas as músicas eram para mim.
Quanto tempo permaneci ali? O tempo de meio sanduíche natural, uma Coca-Cola Zero e,
- o mais importante -
uma porção de morangos com chantily.
Todos os sentidos convergiam para uma felicidade plena.
E ainda estou confuso, só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo e tão contente...
Além da música, do sabor de morangos e chantily, o riso das crianças, o sol da tardezinha e o vento suave varrendo as folhas do chão. Tudo tão piegas, mas ainda assim tão verdadeiro.
Tarde perfeita. Dia perfeito. Noite perfeita.
Bom seria se todos os domingos fossem assim... Domingos de Feira do Livro!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Daquilo que eu sei

Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza...

Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido...

Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!


(Ivan Lins)

sábado, 18 de outubro de 2008

O tempo e o elefante

"Aprendeu a conviver com a verdade. Não a aceitá-la, mas a conviver com ela. Era como viver com um elefante. O quarto era pequeno, e toda manhã ele tinha de se espremer em torno da verdade para chegar ao banheiro. Para alcançar o armário e pegar uma cueca, tinha de engatinhar sob a verdade, rezando para que ela não escolhesse aquele momento para sentar-se sobre o seu rosto. À noite, quando fechava os olhos, ele a sentia assomar acima dele."

(Nicole Krauss, A história do Amor)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Torcida

'Mesmo antes de nascer,

já tinha alguém torcendo por você.


Tinha gente que torcia para você ser menino.

Outros torciam para você ser menina.

Torciam para você puxar a beleza da mãe,

o bom humor do pai.

Estavam torcendo para você nascer perfeito.



Daí continuaram torcendo.

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela
primeira palavra , pelo primeiro passo.

O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.

E de tanto torcerem por você,

você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.

Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.

Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.



Começou a torcer até para um time.

Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente

que torce diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho,

escovar os dentes, estudar inglês e piano.

Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.



Seus amigos torciam para você usar brinco,

cabular aula, falar palavrão.

Eles também estavam torcendo para você ser bacana.

Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.

E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.

Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.



E quando os hormônios começaram a torcer,

torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.

Depois começou a torcer pela sua liberdade.

Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.

Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.

Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos
professores e para qualquer opinião dos seus pais..

Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.

Torceu para ser médico, músico, advogado.

Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.

Seus pais torciam para passar logo essa fase.

No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós,

vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.



Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda,

contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.



Primeiro, torceu para ela não ter outro.

Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.

Descobriu que ela torcia igual a você.

E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.



Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.


Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente

torcendo por ele.

Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda

não tenha conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!

Se procurar bem você acaba encontrando.

Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida.'

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Da cólera ao silêncio

"(...) Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta (...)" Caio Fernando Abreu

Palavras

A obra convence pelos fragmentos, ninguém a lê por inteira.
Vou começar e concluir a leitura em ti, minha mulher. És a página que dobrei para retornar; o manuscrito que nunca acordei de completo.
As palavras, como pêras, perecem ao toque. E é tarde para não mastigá-las. Palavras e palavras, destruíram as que me dariam significado.
Mudei de endereço e nenhum sinônimo me localiza.

(Fabrício Carpinejar, citado por Felipe Pena no livro Teoria do Jornalismo)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pausa

Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.

Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.

A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.

Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e alienação.
Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos.

A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.

Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim.

Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.

Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme.

As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo.

Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.

As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias e o domingo de um feriado.

Nossas(os) namoradas(os) querem "ficar", trocando o "ser" pelo "estar".

Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.

Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos.

Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.

A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade.
E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.

Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande "radical livre" que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.

Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.

Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

(Do Rabino Nilton Bonder - o conheço, é jovem e surfista, apenas para saberem)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

TCCzando...

Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas. Abre aspas. Fecha aspas.

Ponto. Final.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O que Nilson Lage quis dizer com isso???

Em mais esta madrugada insone, neste momento, minha reflexão paira por sobre esta divagação:

"Antes de existirem, na experiência dos homens, as coisas foram descobertas: o pássaro e seu vôo; o teorema e sua explicação; o céu e sua imensidade; a tirania e seu tirano; a libertação e a liberdade. Descobrir torna-se ato conseqüente quando se dá notícia do descobrimento.”

(LAGE, Nilson. Ideologia e Técnica da Notícia, 1979. Florianópolis: Insular, 3ª edição, 2001)

E agora me pergunto: o que, afinal, ele quis dizer com isso???

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