um sim, um não, uma linha reta, uma meta..."
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Um pensamento
um sim, um não, uma linha reta, uma meta..."
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Meu tempo é quando
De manhã escureço, de dia tardo, de tarde anoiteço, de noite ardo.
A oeste a morte, contra quem vivo, do sul cativo, o este é meu norte.
Outros que contem, passo por passo:
Eu morro ontem, nasço amanhã, ando onde há espaço
Meu tempo é quando.
(Vinicius de Moraes)
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Música-que-eu-não-sei-o-nome
Nem olhei pro sol
Hoje preferi a lua
E nem li o jornal
Hoje nem pensei no amor
E nem quis te gostar
Hoje até suportei a dor
A dor de te amar
Tanta gente à minha volta
Que nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
Que é melhor nem falar
Hoje a rua está tão deserta
Como o meu coração
As folhas caem sem muita pressa
Como a solidão
Hoje, agora, nesse momento
Começa a chover
E eu aqui nesse apartamento
Só pensando em você
Tanta gente à minha volta
E nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
E é melhor nem falar...
(Não sei o título dessa música, nem o autor.
Se alguém souber, por favor, me diga para que eu possa dar os devidos créditos!)
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
TCC tccido!
Ok, não cumpri a meta de terminar o trabalho no domingo, mas a minha contagem de tempo considera que, como ainda não dormi, apesar de já ter passado da meia-noite, ainda é domingo. E amanhã vai ser, certamente, uma segunda-feira diferente. Vai ser um dia sem culpa. Culpa de estar fazendo qualquer coisa que não seja: terminar o TCC.
Não fiz o melhor trabalho que poderia ter feito, já diz na minha dedicatória, mas fiz o melhor que poderia fazer nas condições que eu tive. A meta inalcançada, entretanto, foi importante para motivar minha tentativa. Uma meta utópica para um resultado realista. Como a tal da imparcialidade jornalística...
Hoje dormi praticamente o dia todo. Só fui abrir o Word para continuar, ou melhor, terminar o que comecei há uns cinco meses (mais efetivamente nos últimos dois meses) quando já caía a noite. Normal. Auto-sabotagem. Me boicotei o dia inteiro. Acho que meu subconsciente estava com medo do vazio que sinto agora. Eu não tenho mais que fazer o TCC.
Tá, falta revisar, reler, modificar, corrigir, apresentar... Mas está feito. E isso já é o suficiente para provocar uma estranha sensação de dever cumprido. De folga. De descanço.
Pronto. Já não tenho mais dor de cabeça, dor nas costas, dor de ouvido. Acabou o TCC, acabaram os problemas, até o próximo grande desafio.
Dei trabalho para muita gente. Para a minha mãe que aplicou a pesquisa, por exemplo. Agora é mais para a Ana Band, que está formatando todas as páginas do monstro que eu criei, e já passam de 80, segundo ela...
Obrigada! Vou dormir!
domingo, 2 de novembro de 2008
Momentos que são meus...
De repente, uma melodia conhecida.
Não, não essa. Outra. Mas significativa.
Seria coincidência? Não.
Há quanto tempo já deixastes de acreditar no acaso?
Há quanto tempo não páras para contemplar a vida?
Pensei. Não faz tanto tempo. Mas sempre é bom, e cada momento é único.
A melodia...
O som do chafariz, as bolhas de sabão refletindo toda a felicidade que existe no ar.
Todas aquelas pessoas estavam mesmo felizes ou era a minha felicidade que eu enxergava ao redor?
Será que viam o quanto eu estava feliz? Ou meu sentimento é transparente?
O fato é que eu já estava irremediavelmente tentada a permanecer ali,
Embora o plano inicial fosse ir pra casa.
Gosto de imprevistos no meio do caminho, ainda mais assim, tão agradáveis.
Sozinha, eu e a música. A primeira, a segunda, uma próxima... até o bis.
De repente, um show inteiro, uma vida inteira em flash back.
Cada música contava uma história. Quem foi que escolheu esse repertório???
Aquele repertório era meu, eu não duvidava. E todas as músicas eram para mim.
Quanto tempo permaneci ali? O tempo de meio sanduíche natural, uma Coca-Cola Zero e,
- o mais importante -
uma porção de morangos com chantily.
Todos os sentidos convergiam para uma felicidade plena.
E ainda estou confuso, só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo e tão contente...
Além da música, do sabor de morangos e chantily, o riso das crianças, o sol da tardezinha e o vento suave varrendo as folhas do chão. Tudo tão piegas, mas ainda assim tão verdadeiro.
Tarde perfeita. Dia perfeito. Noite perfeita.
Bom seria se todos os domingos fossem assim... Domingos de Feira do Livro!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Daquilo que eu sei
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza...
Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido...
Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah Eu!
Usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E é por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
Cada vez mais limpo!
(Ivan Lins)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
O Relógio
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
(Vinicius de Moraes)
sábado, 18 de outubro de 2008
O tempo e o elefante
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Torcida
'Mesmo antes de nascer,
já tinha alguém torcendo por você.
Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe,
o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela
primeira palavra , pelo primeiro passo.
O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.
E de tanto torcerem por você,
você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente
que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho,
escovar os dentes, estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco,
cabular aula, falar palavrão.
Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.
E quando os hormônios começaram a torcer,
torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos
professores e para qualquer opinião dos seus pais..
Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós,
vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda,
contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.
Descobriu que ela torcia igual a você.
E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.
Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.
Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente
torcendo por ele.
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda
não tenha conquistado algumas coisas.
Mas muita gente ainda torce por você!
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida.'
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Da cólera ao silêncio
Palavras
Vou começar e concluir a leitura em ti, minha mulher. És a página que dobrei para retornar; o manuscrito que nunca acordei de completo.
As palavras, como pêras, perecem ao toque. E é tarde para não mastigá-las. Palavras e palavras, destruíram as que me dariam significado.
Mudei de endereço e nenhum sinônimo me localiza.
(Fabrício Carpinejar, citado por Felipe Pena no livro Teoria do Jornalismo)
domingo, 21 de setembro de 2008
Casa
tem cheiro de café passado,
e mate quente de manhã cedo.
(e depois do almoço, e à tardinha, e de noite).
tem um pouco de coisas espalhadas por todos os lados, em uma bagunça que todos os dias se arruma e se refaz.
tem muita coisa nas paredes, tem muita recordação de vida vivida.
tem muita coisa que a um primeiro olhar não combina com nada, e nenhuma mão de decorador seria capaz de fazer.
tem cheiro de incenso de baunilha.
e tem o tamanho exato para caber em uma mochila e levar nas costas por onde quer que eu vá.
(Ascendente em Câncer, Lua em Sargitário - Isabel Nogueira)