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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Música-que-eu-não-sei-o-nome

Hoje eu nem saí pra rua
Nem olhei pro sol
Hoje preferi a lua
E nem li o jornal

Hoje nem pensei no amor
E nem quis te gostar
Hoje até suportei a dor
A dor de te amar

Tanta gente à minha volta
Que nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
Que é melhor nem falar

Hoje a rua está tão deserta
Como o meu coração
As folhas caem sem muita pressa
Como a solidão

Hoje, agora, nesse momento
Começa a chover
E eu aqui nesse apartamento
Só pensando em você

Tanta gente à minha volta
E nem deu pra notar
Hoje eu estou tão só
E é melhor nem falar...


(Não sei o título dessa música, nem o autor.
Se alguém souber, por favor, me diga para que eu possa dar os devidos créditos!)

domingo, 2 de novembro de 2008

Momentos que são meus...

... e que não abro mão...

De repente, uma melodia conhecida.
Não, não essa. Outra. Mas significativa.
Seria coincidência? Não.
Há quanto tempo já deixastes de acreditar no acaso?
Há quanto tempo não páras para contemplar a vida?
Pensei. Não faz tanto tempo. Mas sempre é bom, e cada momento é único.
A melodia...
O som do chafariz, as bolhas de sabão refletindo toda a felicidade que existe no ar.
Todas aquelas pessoas estavam mesmo felizes ou era a minha felicidade que eu enxergava ao redor?
Será que viam o quanto eu estava feliz? Ou meu sentimento é transparente?
O fato é que eu já estava irremediavelmente tentada a permanecer ali,
Embora o plano inicial fosse ir pra casa.
Gosto de imprevistos no meio do caminho, ainda mais assim, tão agradáveis.
Sozinha, eu e a música. A primeira, a segunda, uma próxima... até o bis.
De repente, um show inteiro, uma vida inteira em flash back.
Cada música contava uma história. Quem foi que escolheu esse repertório???
Aquele repertório era meu, eu não duvidava. E todas as músicas eram para mim.
Quanto tempo permaneci ali? O tempo de meio sanduíche natural, uma Coca-Cola Zero e,
- o mais importante -
uma porção de morangos com chantily.
Todos os sentidos convergiam para uma felicidade plena.
E ainda estou confuso, só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo e tão contente...
Além da música, do sabor de morangos e chantily, o riso das crianças, o sol da tardezinha e o vento suave varrendo as folhas do chão. Tudo tão piegas, mas ainda assim tão verdadeiro.
Tarde perfeita. Dia perfeito. Noite perfeita.
Bom seria se todos os domingos fossem assim... Domingos de Feira do Livro!

sábado, 9 de agosto de 2008

Sim, eu converso com estranhos

Depois de perceber que muitas vezes sou estranha a mim mesma eu passei a ignorar o conselho de “não falar com estranhos”. E quando eu falo em estranho, não me refiro à conotação de “desconhecido”, mas ao que é realmente estranho.


Sábado de plantão no jornal, duas matérias e uma monografia inteira a ser feita para a faculdade e eu só tenho inspiração para escrever crônicas... Essa eu pensei enquanto estava na rua, ainda, e vim pra casa mais rápido para não esquecer. Cheguei, soltei rapidamente as compras da padaria (meu estoque de calorias para o final de semana), liguei o notebook e escrevi... assim... sem parar. Ah, se a monografia fosse assim...


Hoje quando voltava para casa, triste como normalmente volto nos dias solitários, fui surpreendida por uma voz atrás de mim que cantava: Ever breath you take...

Não, eu não achei que fosse pra mim. Mas podia ser. De qualquer modo aquilo era incomum e involuntariamente fui levada a olhar para trás enquanto caminhava por uma das ruas retas recentemente asfaltadas de Satolep.

Ali eu vi a origem dos versos: um rapaz cabeludo, sobretudo preto, violão nas costas. Ele era um estranho e a partir daquele momento se tornara um estranho-conhecido-meu em potencial, o que veio a se confirmar instantes depois.


Como andava mais rápido, passou por mim na calçada e ao passar não parou de cantar, apenas baixou o tom. A passos largos ganhou distância, mas uma sinaleira aberta na esquina seguinte foi a responsável por nosso imediato reencontro. Quando me aproximei ele encerrou a música, e para acabar com o constrangimento eu tomei a iniciativa de quebrar o silêncio. “Bom saber que eu não sou a única louca que ando cantando por aí”, falei rindo, ao constatar que tínhamos algo em comum, embora com uma diferença: ele cantava bem, e eu sou totalmente desafinada.


O fato de perceber isso não fez com que eu sentisse nenhuma atração por ele. Eu não sinto atração por todos os estranhos que conheço. Sinto apenas vontade de conhecê-los. Já diria aquele velho ditado... eu não estava "dando em cima", nem ele aliás, só estava sendo legal...


Ele me disse que ia tocar hoje à noite em uma pizzaria, somente repertório dos anos 60, 70 e 80, e por isso estava aproveitando o tempo de deslocamento para ensaiar. Contou-me também dos agudos necessários em algumas músicas, falou rapidamente – e de modo muito excêntrico – sobre as coisas mais fantásticas do universo musical do final do século passado.


Três quadras adiante eu mudei de direção e ele continuou, logo após se apresentar e me convidar para ir, à noite, ver o show na pizzaria. Como era mesmo o nome dele? Luciano? Elvis?


Não vou ao show, vou trabalhar hoje à noite, e, quem sabe, ler alguma coisa para a minha monografia.


Esse é mais um tributo aos estranhos que conheço por aí, e que talvez nunca mais volte a encontrar.