terça-feira, 10 de junho de 2008

O palhaço que não sabia fazer rir

Era uma vez um palhaço que não sabia fazer rir.
Não tinha graça, não tinha nome, não tinha chapéu nem sapato, apenas o nariz de palhaço.
Não falava, não sabia nem contar piada.
Sua vida era digna de uma barata. Apenas caminhava, sem nenhuma palavra.
Então, saiu por aí, pé por pé, as vezes com as mãos.

Um dia atrapalhado o palhaço tropeçou e caiu no chão.
Hihihi...
Que barulho seria aquele?
Hihihi...
O palhaço não entendia, porque alguém riria da tragédia alheia?

Hihihi...hihihi

O palhaço olhou para o lado e uma menina,
que parecia uma pulga de tão pequenininha, se escondia...
e então se encheu de alegria.
Pela primeira vez na sua vida, alguém ria.



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Esse texto, meio crônica, meio poesia, é de autoria de um amigo meu, o talentoso contador de histórias e cartunista Wagner Passos, que assina também o desenho.

Hihihi, Wagner, Hihihi...

Grupo Buriti: há seis anos, uma parte do Movimento Escoteiro em Balsas

Em 30 de maio de 2002, 12 jovens de camisa azul prometeram, diante da Bandeira Nacional, fazer o melhor possível para cumprir os seus deveres para com Deus e a Pátria. Prometeram também ajudar o próximo e fazer todos os dias uma boa ação. Ao fazerem isso, recolocavam Balsas no seleto grupo de municípios brasileiros onde atuam Grupos Escoteiros. Naquele dia, estava sendo fundado o Grupo Buriti.

De acordo com a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), atualmente, apenas um, em cada 12 municípios do País tem grupos escoteiros atuantes. No Maranhão, apenas outros dois municípios – São Luís e Imperatriz – têm esse privilégio. Por mais que não tivessem a dimensão disso, aqueles jovens precursores estavam inserindo Balsas em uma fraternidade mundial que conta com mais de 25 milhões de jovens e adultos, homens e mulheres, em todo o mundo.

No próximo mês de julho farão 101 anos desde que o primeiro acampamento escoteiro foi realizado, na Ilha de Brownsea, Inglaterra, por iniciativa do fundador Lord Baden Powell. No mês passado, o Grupo Escoteiro Buriti completou seis anos de atividades ininterruptas, graças à boa vontade daqueles que mantém sua participação, e de tantos que por aqui já passaram, entre idas e vindas, e doaram-se também durante algum tempo.

Ao longo da minha vida escoteira, tive no pescoço dois lenços: um era xadrez preto e branco com listras vermelhas, do Humaitá-Sul, onde fui lobinha e escoteira, dos 7 aos 13 anos em Pelotas/RS, minha cidade natal. O outro tem as cores grená e amarelo, e era este que eu usava quando recebi o distintivo Lis de Ouro, sendo uma das poucas escoteiras a alcançar tal grau no estado do Maranhão. Foi com esse lenço no pescoço também que participei de grandes atividades, de acampamentos, de jornadas que viraram madrugadas, e deram-me grandes ensinamentos de companheirismo, paciência e força de vontade. E era este mesmo lenço que eu via no pescoço de lobinhos e escoteiros por quem tinha e tenho tanto carinho, quando me chamavam de “Baloo”. É por isso que tenho orgulho de ambos os lenços, mas sinto orgulho, especialmente, de ter feito parte ao lado dos meus pais, dos meus irmãos e de grandes amigos que o Escotismo me proporcionou, da história do Grupo Buriti, pelo seu pioneirismo, e pela importância que ele tem na comunidade de Balsas.

Ainda não desaprendi a fazer nós, nem esqueci o cancioneiro de jornada. Hoje, pela necessidade de ocupar meu tempo com outras atividades, o uniforme está guardado. Mas só por algum tempo. Qualquer dia destes eu o visto de novo, pra matar a saudade de um bom fogo de conselho! Porque todo mundo sabe que “uma vez escoteiro, sempre escoteiro!”.

***

Mas, como eu ia dizendo... Existem muitas formas de ação possíveis para contribuir com a construção de uma sociedade melhor: Isso pode ser feito através da igreja, da caridade, do trabalho comunitário, do engajamento político, da prática desportiva e de tantas outras maneiras. O Escotismo, entretanto, mostra-se como um movimento dos mais completos porque, respeitando as orientações políticas e religiosas particulares de cada indivíduo, tem como ideal o desenvolvimento pleno das potencialidades humanas – físicas, morais e psicológicas. Seus princípios, incentivam o auto-conhecimento através da espiritualidade, estimulam o serviço ao próximo, o crescimento por meio do trabalho em equipe, a disciplina, o respeito à natureza, a participação na vida política e social da comunidade e tantos outros valores, que são transmitidos através de um método de educação lúdico e não-formal.

É por isso, que a atuação de um Grupo Escoteiro no município é um privilégio tanto àqueles que fazem parte do Movimento quanto à comunidade em geral, que se beneficia indiretamente pela convivência de mais e mais jovens e adultos retos de caráter e líderes em boa vontade. E é graças a uns poucos que um dia se encontraram nesta cidade de migrantes, vindos de lugares distintos, mas identificados pelo mesmo “aperto de mão esquerda” e pela saudação “Sempre Alerta”, que Balsas pode hoje ter orgulho de dizer que faz parte da grande fraternidade que é o Movimento Escoteiro.

Manter um Grupo Escoteiro não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se está distante de outros grupos em que se apoiar mutuamente, e dos próprios centros que coordenam o Movimento no País, que são as regionais administrativas da UEB (União dos Escoteiros do Brasil). Há ainda outros obstáculos, talvez até maiores, e estes, por experiência, afirmo que são enfrentados por todos os G.E.s, independentemente da localização geográfica: Engana-se quem pensa que é a falta de recursos, porque isso, ainda que a escassez de verbas seja uma realidade, é absolutamente contornável. O maior problema diz respeito ao pequeno número de adultos disponíveis, e dispostos a assumir esse compromisso de dedicar boas horas do seu tempo à atividade de Escotista. Não que não valha à pena, porque, como todo o voluntariado, este também tem suas recompensas, e são muitas. Porque o Movimento Escoteiro é acima de tudo um movimento alegre, e aqueles que fazem parte desta fraternidade aprendem, pela sua Lei, a “sorrir nas dificuldades”. Com lenço, ou sem lenço, de mochila nas costas ou não, guardam para sempre boas histórias, grandes e fortes laços de amizades, e habilidades que lhes serão úteis e lembradas sempre, nos momentos mais oportunos.

Estão de parabéns, por tudo o que representam, os lobinhos, escoteiros, seniores e guias de lenço grená e amarelo no pescoço, os pais que doam parte do seu tempo e trabalham para oferecer suporte adminsitrativo ao grupo, e sobretudo os chefes escoteiros, que desde a fundação do Grupo Buriti não medem esforços para manter acesa aqui em Balsas algumas fagulhas deste Espírito Escoteiro.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Para tu amor

Para tu amor lo tengo todo
Desde mi sangre hasta la esencia de mi ser
Y para tu amor que es mi tesoro
Tengo mi vida toda entera a tus pies

Y tengo también un corazón
Que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Para tu amor no hay despedidas
Para tu amor yo solo tengo eternidad
Y para tu amor que me ilumina
Tengo una luna, un arco iris y un clavel

Y tengo también un corazón
Que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Por eso yo te quiero tanto
Que no sé como explicar lo que siento
Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas yo te quiero
Con el alma y con el corazón
Te venero hoy y siempre
Gracias yo te doy a ti mi amor
Por existir

Para tu amor lo tengo todo, lo tengo todo
Y lo que no tengo también, lo conseguiré
Para tu amor que es mi tesoro
Tengo mi vida toda entera a tus pies

Y tengo también un corazón
Que se muere por dar amor
Y que no conoce el fin
Un corazón que late por vos

Por eso yo te quiero tanto
Que no sé como explicar lo que siento
Yo te quiero porque tu dolor es mi dolor
Y no hay dudas yo te quiero
Con el alma y con el corazón
Te venero hoy y siempre
Gracias yo te doy a ti mi amor


(Juanes)

Saigon

Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento
Um pedaço de Saigon
Me disse adeus
No espelho com batom...

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade
Como um céu
De luz neón..

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir...

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pr'eu esquecer de mim...

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Prá Saigon...


(Emílio Santiago)

sábado, 7 de junho de 2008

Justificativa

É noite sábado, e faz frio nesta longínqüa terra Satolepeana.. É noite, mas ainda a pouco era dia e eu nem vi o céu hoje.
Passei hoje prisioneira de mim mesma, imaginando que o isolamento voluntário fosse ser suficiente para aumentar meu rendimento na produção científica. Era necessário, mas não adiantou muito.
Quando Deus disse "sociedade: abra os olhos", eu fiz que não era comigo e continuei dormindo. Enquanto estava acordada, passei comendo a maior parte do tempo. Devorei uma caixinha de leite condensado com gana de que fosse Coca-Cola gelada, e quase uma penca inteira de bananas, preferindo que fossem morangos.

Alguns amigos virtuais vieram me prestar solidariedade, e me ajudaram a enrolar por mais algum tempo.

Escrevi os objetivos do meu trabalho. Fiz um esboço do projeto. Uma pequena síntese. Agora ainda estou emperrada na justificativa. Aí eu me pergunto:
"Por que, Deus, afinal, eu tenho de fazer este trabalho?!?!?!"
Na real me convenço: não estou absolutamente convencida de que ele é importante, mas o faço, porque preciso obedecer às convenções. Sendo assim, como posso convencer os outros??

Um amigo solidário, tentando ajudar no meu dilema, perguntou: Sobre o que é o teu projeto? Respondi, dando um Ctrl+C e Ctrl+V do arquivo no Word sobre os "objetivos" para o chat no MSN. Então ele seguiu o questionamento, e tentando me induzir a pensar, perguntou: Mas por quê? Oras... se eu soubesse, e tivesse de onde "colar" essa resposta, já teria feito a justificativa.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Cantadas

Da série cantadas inesquecíveis...

Não é querer ficar "me achando", mas de vez em quando acontece cada uma...

Outro dia ia chegando na casa da minha avó e um rapaz, bem apessoado, que caminhava no sentido oposto me cumprimentou gentilmente. Como no meu trabalho fico muito exposta, e tenho sempre que ser sociável, cumprimentei também, e como acontece muitas vezes, não fazia idéia de com quem estava falando.

Depois que ele passou por mim, virou-se e perguntou: "De onde que eu te conheço?"
Fiquei meio constrangida, mas respondi que também não sabia de onde o conhecia (e a essas alturas, à segunda vista, já nem tinha mais certeza de que conhecia mesmo).
Ele ficou me olhando, pensativo, com cara de quem está buscando registros no banco de dados. "Qual teu nome?", ele disse. "Bianca", respondi. E ele: "hummm... sei... eu conheço uma Bianca, mas não é tu...", completou com ar de decepcionado, logo dissipado. "Então...", sugeriu, começando a frase à paulista, "... já que a gente não se conhece direito, que tal a gente se conhecer melhor?" :/

Comecei a rir... e gentilmente respondi que não.

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Outra:

Ia chegando na faculdade, passando pela calçada na frente de uma casa onde uns guris costumam se reunir nos finais de tarde pra tocar violão. Sempre tenho vontade de parar por ali pra ficar ouvindo (um dia ainda me convido para um happy hour!) porque adoro as músicas que eles tocam, e dá uma vontade, uma saudade de ficar sentada na calçada e relaxar, jogar conversa fora... Quando passo por ali, costumo cumprimentá-los como faço com os velhinhos que moram na quadra anterior, afinal, são meus vizinhos, e eles simpaticamente me cumprimentam também.

Hoje foi diferente. Passei meio desligada, não cumprimentei, e eles ficaram em silêncio enquanto eu passava. Quando eles estavam às minhas costas, o que estava com o violão na mão entoou os primeiros acordes de "Pretty Woman" (do filme Uma Linda Mulher). E eu que estava meio distraída, meio cansada, meio aborrecida, já não ia mais tão triste! Obrigada, você que eu não sei quem é, por me fazer rir hoje!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Mundo Perfeito

Nunca diga que se arrependeu
Das coisas que já fez na vida
E com tudo que já foi seu
Seja grata por pelo menos um dia

Você está crescendo
Mesmo sem notar
O seu mundo perfeito
Começa a se desmanchar

Pense em tudo como sempre fez
Pode parecer absurdo
Agora já passou, tudo bem...
Da próxima vez eu me cuido!

Você está crescendo
Mesmo sem notar
O seu mundo perfeito
Começa a se desmanchar

Quando você tinha 16
Fez amor pela primeira vez
E nunca mais acreditou
Em palavras bobas de amor

Você está crescendo
Mesmo sem notar
O seu mundo perfeito
Acaba de se desmanchar

A chuva forte já passou
Agora será mais tranqüilo
De repente você sente que mudou
E vê que o mundo é imperfeito

Você está crescendo
Mesmo sem notar
O seu mundo perfeito
Começa a se desenhar

Você está crescendo
E consegue notar
Que o seu mundo perfeito
Só existe porque você acreditou.

(Nei Van Soria)